Com que roupa?

June 14, 2018

A Copa da Rússia chegou e com ela todas as dúvidas que me afligem a cada 4 anos. Fazer ou não fazer o álbum? Esse ano eu desisti. Pendurar ou não pendurar a bandeira na janela? Esse ano eu pendurei. Mas nenhuma dúvida é tão cruel quanto comprar ou não comprar a camisa da seleção?


 

E toda Copa a conclusão é a mesma. Não consigo vestir uma camisa com o histórico da CBF e preço da Nike.


 

Então, começo a pensar em outras opções em um cenário de exclusão que nem São Guga Chackra pode ajudar. Então vamos começar o jogo.


 

Da anfitriã com Putin e um braço armado do exército vigiando qualquer demonstração homoafetiva na arquibancada, não dá. Certo?


 

Vamos recomeçar com nossos vizinhos.


 

Torço muito pelo Messi. O problema são os 43,48 milhões de conterrâneos do gênio. Sério, torcer para a Argentina não faz sentido! Para o país que elegeu Mujica eu torço sempre! Mas o que os uruguaios fizeram com meus avôs em 50 não tem desculpas. Que o nosso fantasma continue assombrando os títulos deles.


 

A do Peru é muito Vasco. Da Colômbia é amarela! O povo deu um show com a Chape e tem a Shakira. Mas sabe aquele vizinho que você tem certeza que é legal, mas foge para não entrar no elevador sozinho com ele? Pois é, a sensação que tenho da Colômbia é essa. Muito legal, muito divertida, mas muito parecida com a gente.


 

Continuamos nossas opções, agora na América Latina com Costa Rica, Panamá e México. Um é nosso adversário logo na primeira fase e não deve passar disso. O Panamá tem muita experiência em passar de um oceano para o outro, mas vai precisar passar o chapéu pra conseguir chegar no máximo até as oitavas.


 

O México! Temos aí um bom candidato. Tem as cores do Flu no uniforme e na bandeira. E as coincidências não param por aí. A seleção do Chaves e Chapolin tem tudo para ter minha torcida. Mas não tem a menor chance de ganhar o título. E camisa de time que não tem chance de títulos já me bastam todas do Flu que eu tenho.


 

Melhor mudar de continente e de assunto.


 

Vamos para a Ásia. Antes de sofrer com os ataques adversários, a seleção do Irã vem sofrendo com os embargos econômicos dos EUA e muitos jogadores estão sem suas chuteiras da Nike para treinar. O time não tem fornecedor de material esportivo. Eles compram as camisas da Adidas! Ou seja, se tá ruim para quem vai jogar a Copa, imagina pra quem quer comprar uma camisa e mostrar seu ódio pelo Trump. É melhor ir para Cuba.


 

Japão e Coréia só compro se puder colocar o nome, no original. A Arábia Saudita é muito moderna onde não precisa ser e muito ultrapassada onde não pode ser. E a camisa é muito Palmeiras.


 

Pela Ásia ainda tem a Austrália. E antes de você me julgar errado, já antecipo que fui aluno de Nair Peralta. Desenhei muito mapa em papel de seda e colori cada país com a sua capital. #respeitaminhageografia


 

A Austrália disputa os jogos pela confederação asiática. A camisa da seleção é amarela, mas o esporte dos caras é o rugby.


 

Da Ásia vamos para África. Dos 5 países classificados para Copa, Marrocos, Tunísia e Egito me encheram de esperança com a Primavera Árabe. Em alguns deles, os religiosos extremistas tomaram o poder e me encheram de medo. Hoje, eles me enchem de argumentos contra aquele amigo que diz “os militares entram, organizam e saem”. Mas nenhum deles me dão motivos para vestir suas camisas.


 

Da Nigéria prefiro os livros, Teds, textos e a luta de Chimamanda do que o futebol. E olha que sempre escolhia o Kanu no Winning Eleven 3. E o Senegal? Me arranja uma camisa do Senegal até o fim da Copa, que eu uso.


 

Aterrissamos na Europa. França? Que Zidane! Não dá pra torcer por um povo que fez o que fez na Copa de 98. Se vocês soubessem, iriam ficar de estômago embrulhado. É o que diz os textos dos tios de whatsapp. Além disso, só permitem perguntas em francês nas suas coletivas de imprensa. Sério! Em 2018?!


 

Tenho motivos de sobra para não querer uma camisa da Alemanha. Mas me bastam 7. Sete também foi o número de gols da final de 58, quando ganhamos nosso primeiro Mundial contra a Suécia, que tem uma camisa linda. Mas Janne Anderson deixou o Ibra de fora. Você sabe quem é Janne Anderson? Não né?! Pois é, ele vai ser conhecido por deixar o Ibra de fora de uma Copa. E só.


 

A Islândia é um país de fogo e gelo, com menos de 500 mil habitantes, menor que muitos estados brasileiros e mesmo assim, tem um dos maiores IDHs do planeta! É muita humilhação.


 

Bélgica tem time para ir bem como nunca, mas vai perder como sempre. Da Dinamarca eu não comprei a do Laudrup. Agora que eu não compro mesmo.


 

Suiça é bom para dois tipos de brasileiros: para o corrupto que esconde dinheiro e para o que gosta de chocolate. Corrupção e chocolate tem tudo a ver com futebol, mas não me fazem vestir a camisa.


 

Entre Croácia e Sérvia, foi a da Iugoslávia que fez história. A minha única ligação com a Polônia é o corredor. Nada de camisa desses três.


 

Eu até tenho uma camisa da Inglaterra. Mas é um modelo retrô, diferente, moderninha, tipo as grandes cidades inglesas. Aquelas cidades que inspiram transformação, tendências e novidades. Pena que os ventos não levam esses ares para os campos. Aí o povo que canta Beatles, Amy Winehouse, Rolling Stones, Oasis, The Who, Coldplay entre outros, é obrigado a meter a viola no saco e voltar pra casa mais cedo. Duvida? A única Copa que eles foram mais longe foi em 66, onde jogaram em casa e ganharam vários jogos de um jeito bem estranho, inclusive contra a Argentina e a final, contra a Alemanha.


 

Portugal. Sério, você tem ligação afetiva com Portugal? Apesar de tudo. Apesar de toda a história. Apesar de todo o sofrimen... Melhor parar né? Deixa os irmãos lá, deixa a gente cá. O país é legal, o CR7 é maneiro, mas daí a vestir camisa não dá.


 

A minha última esperança seria a Espanha. Mas só se o Messi respeitasse a sua essência e jogasse na sua seleção verdadeira! Sim o Messi é o primeiro jogador que joga desnaturalizado pelo país que nasceu. Era para ele jogar pela Espanha. Ou seria pela Catalunha? Imagina, o Messi seria o primeiro jogador desnaturalizado, a jogar naturalizado por uma região independente.


 

A camisa 10, do Messi da Catalunha, seria uma camisa certa na minha coleção.

 

Enquanto isso não acontece, continuo aqui, assistindo a Copa sem camisa de seleção. Até porque, esse negócio de vestir camisa de um país está cada vez mais fora de moda.

 

 

 

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